quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Cabecinhas limitadas serão devoradas

Das coisas mais difíceis da atual economia é quantificar os valores das novas atividades. Talvez, até por isso, muitos negócios estejam sendo deixados de fazer e outros sendo feitos por bem menos do que poderiam. Quantas pessoas você conhece que investem na Nasdaq? O pregão da bolsa dos novos negócios de Nova Iorque tem sua variação apresentada diariamente por veículos da grande mídia, mas quem aposta nela? Até hoje não conheci um único consultor financeiro que indicasse investimento lá.


Tenho certeza de que não é por se tratar de um mau negócio. Apenas por ser um negócio do qual quase ninguém ainda tem certeza, ou consegue quantificar. Quer um exemplo mais específico? O IPO do Facebook.

Até quem jamais entrou na internet sabe que o mais importante negócio da web atual são as redes sociais. E se existe um nome consistente e reconhecido nesta área, chama-se Facebook, com seus 900Milhões de usuários. Então, como explicar que o mais importante nome neste ramo tenha "derretido" 20 Bilhões de Dólares nas 48horas que sucederam a oferta pública inicial de ações da rede de Mark Zuckerberg?

Não tem explicação. A não ser que levemos em consideração o fato de que os analistas do mercado financeiro ainda não aprenderam a avaliar o real valor dos produtos oferecidos neste novo mercado. Vivemos ainda a mesma síndrome que levou à explosão da "Bolha", uma década atrás. Quem foi o gênio que determinou que o índice preço/lucro(indica uma estimativa de prazo, em anos, para que o investidor recupere o capital aplicado) do Facebook podia ser cinco vezes maior que o índice dos papéis da Google, empresa com faturamento 10 vezes superior? Lembrando que o operador do IPO foi a Morgan Stanley, uma das mais conceituadas no mercado mundial de valores.

Na verdade, só não tem explicação no mercado tradicional. E este é o problema que está levando à bancarrota empresas de comunicação tradicionais como as do ramo fonográfico e agências de propaganda. Ao inverterem o enigma da esfinge, não decifraram as novidades interpostas aos seus mercados e optaram por devorar o novo. Estão sendo engolidas, com algumas exceções que entenderam o sentido da movimentação do mundo pós-internet. Podemos claramente incluir agências de consultoria de valores no pacote dos que serão engolidos pela nova economia, já que não conseguem compreender a gama de variáveis surgidas com as tecnologias embutidas em seus produtos e serviços.

Qualquer usuário contumaz de redes sociais passa mais tempo ligado às suas redes via smartphone do que através do computador onde trabalha, ou no de casa. E não se consegue visualizar as propagandas do Facebook no aplicativo para celulares. OK, tampouco se consegue visualizar no Google via smartphone, mas o uso disso é insignificante. Levando-se em consideração que mais da metade dos usuários do Facebook se liguem via telefone, a maior parte do tempo, o valor de rentabilidade provável do Facebook ficou absolutamente indefinido e rebaixado pelos poucos analistas que se deram conta deste pequeno detalhe.

São as minúcias e idiossincrasias da nova economia, deixando bem claras as limitações das velhas cabeçinhas. Não é que sejam ultrapassadas, apenas não conseguem enxergar o novo. Afinal, internet móvel não é apenas uma extensão do desktop, ou um complemento do notebook. É a convergência que leva a vida, o trabalho, o lazer e a comunicação para dentro da bolsa, ou do bolso. Multiplique isso por 6 Bilhões de usuários.

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