quarta-feira, 29 de julho de 2015

Literatura E Os Pecados Da Carne

Enquanto advogados bem intencionados vão ao inferno, por mentirem, jornalistas bem intencionados foram ao Chalé da Praça 15 no cair da noite desta terça-feira pra cumprimentar e pegar um autógrafo do decano Flavio Dutra, lançando suas Crônicas Da Mesa Ao Lado. Poucos textos tem o fino humor do Flavio e poucos jornalistas agregam o respeito e amizade de tantas gentes das mais diferentes origens e procedências. Só de político 3 estrelas, o que tinha de bacana na fila do salão, dava um programa inteiro de CQC. Uma fila de respeito, de peso e de conteúdo, além de tamanho e duração. Escritor conhecido sempre tem bicha graúda em lançamento. Um alento praquele amigo meu que passa bem cedo nos lançamentos, pega o autógrafo, sai correndo para um motel, onde se refestela por horas a fio com alguma mariposa vivaz, chegando em casa perto da meia-noite, com cara emburrada e reclamando do tamanho e demora da fila de autógrafos.
Já eu, por viver só, não preciso de subterfúgios para  me entregar aos prazeres da carne e, após os cumprimentos e galhofas da celebração literária de ontem, tive de me atirar na mais pura e sórdida libação de fim de inverno: o mocotó do StarkBierZeit(a época de tomar cervejas fortes, em alemão). Uma promoção do Apolinário Bar, com o apoio gastrocultural do BurgoMestre Sady Homrich, para executar, degustar e se empanturrar com a receita e co-pilotagem de Fábio Franck e mesa de pães da chef Jaque. A cerveja Emigrator, da Abadessa fazia a harmonização que justificava o evento que, acreditem, ainda apresentou sobremesa depois de já estarmos todos mais estufados que urso ao hibernar.
A essas alturas, quando já a mulherada se retirou pra ir assistir Master Chef em casa e os baguais se puseram no pátio a queimar seus puros, aquele momento em que as verdades não aparentes aparecem, comecei a pensar que eu devia ficar alguns minutos de pé e depois me retirar pra tentar jiboiar em casa, mas nem terminei de mencionar minha covardia quando o inoxidável Sady contestou: “não sem antes provar do Aquavit artesanal que eu trouxe”. Isso é para os fortes, decididamente. Foi o tempo de exercitar o abdome estufado com muitas risadas causadas pelas confidencias dos comensais restantes no já "petit comité", que lá vem o Burgomestre com uma garrafa que parece uma pedra de gelo e passa a servir copetas com um líquido viscoso que dali escorria. 

Mocotó, cerveja, doce, charutos e álcool. Álcool temperado e com um sabor incrível, mas álcool. Era tudo o que eu precisava pra dar a noite por encerrada e assim foi. Sexo? Vocês perderam o juízo? Se eu desse uma mínima chacoalhada, entupido do jeito que estava, voltariam as enchentes sobre a região metropolitana de Porto Alegre em questão de segundos. Seria uma catástrofe da qual nem a Defesa Civil poderia livrar a população. Cama e 18 travesseiros, pois é vida que segue.

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