terça-feira, 28 de julho de 2015

Valerosos Caramingüeites

Entrei em contato com um agente de viagens conhecido, pois tinha dúvidas sobre qual a melhor forma de dinheiro pra se usar em uma breve viagem à vizinha Argentina, se Reais, Pesos, Dolar, cartão de débito etc. Ele foi taxativo: Dolar. Era quarta, pra quinta-feira dia 15 e ele me avisa que a cotação da moeda do Tio Sam está em R$ 3,33. Brinquei que a meia-dúzia de caraminguás que podia comprar praquela aventura não justificavam que eu saísse correndo, que a cotação já estava alta e tal e ele comentou que se necessário deixaria o valor separado garantindo o preço contratado, mas que não deixasse para amanhã, pois ninguém sabe o que pode acontecer. Pelo sim, pelo não, comprei meus caramingüeites naquela tarde e garanti o passeio. Relaxei e nem quis mais saber de notícias, pois só viajaria ao fim do dia seguinte.
Assim nos fomos, eu e o caçula a bordo do novíssimo EMB 90 da Aerolineas, ao que o piá me pergunta por que as companhias aéreas brasileiras não usavam aquela aeronave, tão mais confortável e silenciosa que Boeings e Airbus. Nem tinha me dado conta. Azul, Aerolineas, Austral e Lan voam com aviões produzidos na Embraer, enquanto Gol e Tam se negam a usar o produto nacional. Tentei evitar a comparação desagradável com o fato de a Presidência da República do Brasil praticar o mesmo, já que o Air Force 51 é um Airbus e seu antecessor, o Sucatão, era um Boeing. Sem resposta a pergunta ficou.
Desembarcamos no Aeroparque ao começo da noite, fui imediatamente fazer um câmbio pra carregar algum “efectivo” no bolso e, na cabine descubro que era mais vantajoso usar Reais. Achei estranho mas fiz o mais lógico comprando Pesos com alguns Reais que tinha para a volta. Só precisava o suficiente para o taxi e a janta mesmo. O transporte até Belgrano ficou em 130 Pesos, contra os 110 acertados com o “remis”, que não esperou os 50min de atraso do voo; uma diferença em torno dos 5 Pilas. Para jantar, saboreamos em uma parrilla perto de casa uma carne que chamam de “Entraña” que entendi ser a parte sem gordura do vazio, do mesmo jeito que preparo em casa, só que estava melhor. Com “papas fritas”, “gaseosa y vino”, saiu por 220 Pesos. Viajados, alimentados e felizes por descobrir que naquela cidade maravilhosa nosso dinheiro valia bem mais do que por aqui.
Dia seguinte, primeira coisa, pegamos o metrô rumo ao centro da cidade, onde o câmbio é mais generoso, onde descobrimos que o Dolar azul(sim, os hermanos ainda transacionam com doletas verdes, só que pagam menos por estas) equivalia 14 locais. Fizeram as contas? Com 10 pagava o taxi e com 20 a janta, com direito a troco em ambas. Era domingo e dali seguimos para San Telmo que é dia de feira. O clima de céu aberto ajudava bastante e as bancas deixavam claro que preferiam Reais(4x1) e Dolares(14x1) nas transações. Naquele domingo houve ainda eleições nas capitais e em Buenos Aires os peronistas seguem alijados da administração pela 3ª vez consecutiva, lembrando que se trata do 2º posto mais importante da República do Prata.

Uma semana maravilhosa onde caminhamos até quase esfolar os pés, já que não vimos uma nuvem no céu, enquanto Porto Alegre sucumbia sob as águas de uma chuva constante e impiedosa. Um tempo excelente para arejar, comer medias-lunas, carnes e panchos maravilhosos  dar muita risada e esquecer um pouco do mau humor vigente na “terra brasilis”. Até porque ao desembarcarmos de volta descobrimos que o Dolar havia disparado e passado do valor que paguei, para R$ 3,47 e que, na segunda-feira bateu a casa dos 3,70. Em suma: parece que o Real acabou e já está frente à moeda azul dos americanos da mesma forma que encontramos os Pesos argentinos em relação ao dinheiro que nos custou tão caro estabilizar e voltar a ter poder de compra e poupança. Triste Brasil; matamos o futuro em apenas duas décadas.

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