quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Prefiro O Abacaxi Ao Jumento

       Vc já viu um abacaxi? Não na fruteira, mas no cinema. Pois é, eu vi. Fazia anos que isso não me acontecia, mas me deixei levar pela vontade de cochilar depois de uma refeição tardia, com um nome famoso do cinema francês como Godard assinando o filme. Bah..! Isso facilitou minha sesta um monte. Obrigado meu ilustre cineasta francês, você me patrocinou um cochilo maravilhoso. Como a sala estava vazia, se ronquei ou se sorri, o importante é que não fiz sair ninguém dali -a única outra vítima de Adeus À Linguagem além de mim, estava na mesma fila que eu e já tinha levantado e abandonado o cinema ainda antes de eu cair no sono.

       Tenho essa paixão mal resolvida por filmes “off Hollywood”. Uma tendência a entrar em qualquer sala de cinema onde seja projetado um filme feito em um lugar diferente da fábrica de “blockbusters” do Tio Sam. Nada contra o capitalismo opressor yanqui, apenas contra as tosqueiras cometidas amiúde pelo produtores que bancam os filmes em Hollywood. Quantas vezes você já começou a assistir uma dessas películas motivado, tudo vinha bem, evoluía bem e, do nada, aquilo se transformar numa gosma de empurrar goela abaixo a pacientes em coma? Pois minha paciência para ser chamado de burro nas salas de cinema já foi pro espaço há muito tempo e, desde então busco assistir todo o filme feito fora da “meca” e, se for fora dos EUA, melhor ainda. Daí que seguido troco as tosqueiras pelos abacaxis.


Lembre-se sempre que, nestes momentos intensos e de estresse que estamos vivendo, duas horinhas no escuro, com a mente e o celular desligados, pode ser uma garantia de sanidade. Um abacaxi desses, como o do Godard, auxilia o vivente a desligar o disjuntor e sair de circuito, num momento quase uterino, pra depois renascer pronto pra voltar à guerra. Tenho um amigo que faz isso nos jogos do meu time e ele jura que chega a sonhar, mas ainda prefiro o abacaxi cinematográfico. Custa bem menos e nem se corre o risco de acordar assustado com os gritos e xingamentos da torcida contra um jumento investido no cargo de treinador, que coloca um centro-avante quando faltam apenas 10min de jogo, muda a partida, mas não dá mais tempo de mudar o resultado.

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