quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Tédio Num Momento Destes?

    Sinara Polycarpo Figueiredo era superintendente de investimentos do banco Santander. Num belo dia de julho de 2014, atendendo o compromisso de sua função com quem lhe paga salário, os investidores do banco, emitiu um relatório alertando a todos que a situação econômica estava grave e que pioraria com a reeleição de Dilma Rousseff. Passado pouco mais de um ano do feito, que culminou com a cabeça da economista servida em uma bandeja pelo banco, depois que o Sinhozinho de Garanhuns gritou aos 4 ventos: “Essa moça não entende porra nenhuma de Brasil e de governo Dilma. Manter uma mulher dessa num cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar ela embora e dar o bônus dela para mim”, Dilma vem a público e diz: "Fico pensando o que é que podia ser que eu errei. Em ter demorado tanto para perceber que a situação podia ser mais grave do que imaginávamos. E, portanto, talvez, nós tivéssemos de ter começado a fazer uma inflexão antes".

    Isso quer dizer que Sinara tinha razão? Se a economista do banco tinha razão quando emitiu o relatório negativo a respeito da situação brasileira, como então foi demitida? Se a Presidenta reconhece que estava enganada, como então a analista de mercado não é reconduzida ao cargo, ou mesmo chamada para o cambaleante Ministério da Fazenda, já que este é comandado pela banca? 

    Dúvidas que assolam, mas neste país em que estamos vivendo, existe alguma coisa que não desassossega? "Ó têmpora ó mores"! No momento em que assistimos a um ex-Presidente falcatrua que foi sacado do poder pelo movimento das ruas, que pressionou o Congresso a votar seu "impeachment", vir a público ofender e acusar o Procurador Geral da República, daquela sua forma alucinada de quem virou noite sob o efeito de supositórios suspeitos. O Procurador respondeu e o Senador demonstrou raivinha e segue tudo como dantes, já que ambos pertencem ao mesmo governo e dali retiram suas receitas escusas.

    Ao menos, para quem almoçou hoje nos restaurantes espalhados pelas cidades brasileiras, apareceu uma atração diferente nos televisores instalados naqueles locais. Afinal, a vida do brasileiro precisa ter sempre uma novidade. Até a Dilma conseguiu encontrar uma novidade; a de que o país o qual governa está sim em crise, vejam só. Então por quê não enrolar a hora de comer a ambrosia pra assistir um ex-Presidente deposto alucinado destilar seu ódio em rede nacional? Decididamente, o brasileiro de tédio não morre.

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