terça-feira, 6 de outubro de 2015

Fantasminhas Nano-Navegantes

   Estava eu nesta semana muito preocupado com os metabólitos e os danos que eles provocam ao não serem eliminados pelo organismo, quando tive meus pensamentos assediados e abduzidos por neutrinos. Ora direi ouvir estrelas… como diria o poeta; o que você tem a ver com metabólitos e neutrinos. Ora direi eu… partículas subatômicas improváveis são de fundamental importância. Saiba que neste exato momento você está tendo seu corpo trespassado por trilhões de neutrinos e nem imagina. É, pode acreditar.

    Assim como atravessam os nossos corpos, os neutrinos por quase não possuírem massa, atravessam qualquer coisa. Verdadeiros fantasminhas essas partículas elementares, que vagam pelo espaço numa velocidade próxima à da luz. Em função disso, esses “gasparzinhos” subatômicos conseguem atravessar até mesmo o núcleo do sol e todas outras estrelas. Surgem em consequência de explosões de raios gama pelo universo e, por interagirem um quase nada com a matéria, guardam preciosa informação sobre tais eventos. Vem daí a atração dos cientistas em estudar estes nano-navegantes do cosmos, que atingem cada centímetro de nossa amada e vilipendiada Terra em grupos de 65 milhões, atravessando-a como se nem estivesse ali.

    Pois a Academia de Estocolmo acaba de conceder o Prêmio Nobel de Física a uma dupla de cientistas da Universidade de Queens, do Canadá e de Tóquio, Japão, justamente porque esses 2 conseguiram provar que os neutrinos têm massa. Eles conseguiram investimentos bilionários e mandaram construir, em minas enfiada 1km e 2km no fundo da Terra, aglomerados de detectores com 40m de altura. Estes equipamentos permitiram verificar que estas partículas elementares se transformam constantemente, passando de neutrinos de elétron, para neutrinos de múon e até mesmo em neutrinos de tau. Acreditaria em neutrinos de tau se transformando aí dentro do seu corpo?

    Aí você me pergunta: “qual a serventia disso”? Pois bem… lá pela década de 70 do século passado, cientistas entraram em acordo em torno de um Modelo Padrão para tentar avaliar de onde viemos e para onde vamos. Este modelo tem uma precisão matemática de até 10 casas digitais nos cálculos de probabilidades, o que é muito bom pra mim ou pra você, mas não pra esses cientistas. Não, esses cientistas se apegaram a um tese de Wolfgang Pauli que previu ser provável que a energia liberada em certas reações era menor do que o total previsto. Então, ou alguém estava subtraindo energia como se fossem comissões em estatal brasileira, ou alguma partícula neutra estava sendo liberada durante estas reações. Bingo!


    Na década de 1950, conseguiram detectar a existência desses neutrinos emitidos de um reator nuclear. Poucos anos depois, em 1968, enquanto Daniel Cohn-Bendit incendiava as ruas de Paris e Dilma Roussef assaltava bancos no Brasil, um experimento a 1.500m de profundidade, em uma mina, confirmou que os neutrinos não apenas pudessem ser detectados, como também forneciam uma capacidade analisável da ordem de 30 casas digitais. Ou seja: os neutrinos, esses fantasminhas que insistem em passar por dentro de mim, de você e da Priscila Fantim, provaram que o Modelo Padrão da física, a coisa mais precisa jamais obtida na história humana, podia ser “melhorado”, pra dizer o mínimo, em pelo menos 10 dígitos. E você aí preocupado com o terceiro dígito no preço do litro da gasolina.

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