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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Genocídio estimulado que pode ser evitado

Impactado com a notícia ao acordar de que 28% do atendimento público de saúde no Brasil cuida apenas de motoboys, veio a pergunta básica dessas horas: de quem é a culpa? Fácil resposta: é nossa, de toda sociedade, mais ainda de quem vive nas cidades.

Antes que você diga “alto lá, eu não tenho nada a ver com isso” eu pergunto, quando foi a última vez que pediu comida pelo telefone, ou enviou/recebeu algum documento, qualquer ítem de pequeno porte usando o serviço de um motoboy? Pq tem que ser um entregador de moto? Pra ser mais rápido. OK, comida precisa chegar quentinha na maioria das vezes, mas quem não tem um microondas em casa pra recuperar a temperatura do alimento em 1minuto? Ou um forno tradicional para recuperar a crocância da pizza em 5min? Ah, você se nega a sujar sua cozinha e utensílios domésticos… então os motoboys que se matem para fazer a entrega em tempo mínimo.

Há cerca de uma década fui convidado para entrar como investidor de uma empresa de “BikeBoys”. Fazia o mesmo que os motoboys, mas não poluíam, agregavam saúde aos funcionários e os acidentes causavam lesões corporais pouco graves, recuperáveis em tempo inferior à necessidade de “encostar” sinistrados no sistema da previdência. Ou seja: o custo social era absurdamente inferior e tudo o que os usuários do sistema perdiam era, no máximo, 10minutos a mais nas entregas durante horário comercial. Usei os serviços dos bikeboys enquanto a empresa durou, já que a população se negou a esperar estes minutos a mais para ter em mãos os ítens que precisavam ser entregues. O resultado foi um total de 12.040 mortos em cima de motos(e embaixo de veículos maiores) no Brasil e uma despesa de 114 Milhões de Reais aos cofres públicos, no ano de 2013. Estão satisfeitos apressadinhos e estressados que vivem nas cidades? 

É assim que se dizima o futuro de um país. Gerando gastos desnecessários vultosos e aniquilando com uma geração de jovens que podia estar criando filhos para o bem, mas estão presos a uma cama, ou abaixo de 7 palmos de terra. 

Hoje existem ciclovias e mais educação no trânsito para conviver com as bicicletas. Um caldo de cultura melhor para favorecer o surgimento de novas iniciativas de tele-entregas que não utilizem esses motores absurdamente poluentes de motos(sabia que um motorzinho de 125cc dessas motos polui mais que o de uma de carreta ou ônibus?). Então, na próxima vez que fizer um pedido de tele-entrega  faça a si mesmo estas perguntas: 
  • qual a minha urgência na entrega?
  • posso aguardar uns minutos a mais?
  • qual o custo social do serviço(poluição x Saúde Pública x Previdência Pública)?

O cálculo sobre consumo/emissão de poluentes pode ser avaliado em http://vadebike.org/2006/10/moto-polui-mais-que-anibus/ 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

SURABAYA

E a luz resplandeceu nas trevas, 

e as trevas não a compreenderam

Ouça a Crônica Radiofônica por aqui

Surabaia é o principal porto da Indonésia, origem provável do marinheiro fictício e mentiroso da canção de Kurt Weil e Bertold Brecht, escrita e publicada a partir do início da profícua parceria dos jovens artistas da Alemanha, em 1927. A dupla composta pelo compositor e pelo dramaturgo alemães ganhou fama internacional quando se mudaram para os Estados Unidos, fugindo da perseguição política que sofriam em sua terra natal. Desde então suas peças, óperas e canções passaram a serem apresentadas, interpretadas e gravadas pelo mundo afora. Das obras compostas pela dupla, a mais famosa é a Ópera dos 3 Vinténs, mas Lux in Tenebris fez imenso sucesso mundial, especialmente pelo trecho desta canção que conta a desventura amorosa de uma mulher iludida pela lábia do conquistador dos 7 mares. 

Surabaya voltou às manchetes nesta virada de ano, novamente por uma história carregada de dor e tristeza. Mesmo longe daqui, do outro lado do mundo, a maioria de nós se sensibiliza com a desventura dos 155 passageiros do vôo QZ 8501, assim como dos 7 tripulantes a bordo do Airbus que partiu daquela cidade da Indonésia, com destino a Cingapura, mas sucumbiu à uma tempestade no Mar de Java. 

Teria sido apenas mais um trágico acidente aéreo, não fosse o ainda presente mistério do avião que desapareceu naquela região do planeta Terra no ano passado e que, simplesmente, não deixou pistas. Enquanto não surgir algum sinal das 239 pessoas a bordo do vôo MH 370, da Malaysian Airlines, não conseguiremos esquecer deste episódio onde seres humanos tomam chá de sumiço, assim de repente, sem qualquer vestígio de seu paradeiro.

Tal e qual o marinheiro Surabaya Johnny, que manipulou o desejo de ser persuadida da vitimizada personagem da ópera Lux in Tenebris, se dizendo um operário da ferrovia, para depois partir sem deixar vestígios, restando à amada, literalmente, a opção de ficar a ver navios. Volta e meia, sem sinal ou aviso, um daqueles barcos pára no porto e, da embarcação desce o sedutor marinheiro, com a mesma cara deslavada. E, ela o recebe com beijos, carinho e muito amor, mesmo reclamando do ódio que sente por ele a ter enganado, mas tendo a certeza de que nada na vida lhe causa mais emoções.

Ela está em vantagem sobre os entes queridos daqueles que estavam no voo da Malaysia Airlines; infelizmente estes sumiram pra não mais voltar. O mesmo ocorre com os familiares dos que estavam no voo que partiu de Surabaya e jamais chegou a Cingapura. Ao menos estão recebendo de volta seus afetos. Da pior forma possível, mas lhes resta o conforto de saberem onde estão.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

É Mais Que Orgulho, É Só Alegria

Meu dezembro não tem como ser mais alegre. Minhas 3 maiores alegrias na vida aconteceram neste mês. Uma alegria reforçada a cada dia que passa pelo orgulho e admiração que tenho, em ver o desenvolvimento desta que é, até o momento, minha melhor obra: a paternidade. 

Neste dia em que comemoro a chegada de um ser carinhoso, parceiro fiel, capaz de remoer calado a contrariedade mas incapaz de uma palavra ríspida ou ataque de raiva, vejo como valeu a pena investir na construção de mais um ser humano. Um ser humano que já atingiu a estatura do pai, que já formou-se no Ensino Fundamental e que já tem a experiência -e paciência- de saber cuidar do pai quando este se acidentou, em duas oportunidades recentemente, abdicando mesmo das próprias férias para isso. 

Um coração gigantesco em uma mente com capacidade de observação extraordinária; um bom humor constante e difícil de abalar, tanto quanto sua capacidade de ver o lado bom das coisas e não perder a fé no que virá. Esta última qualidade vem sendo meu esteio nestes anos recentes, a força que não me deixa desanimar e querer sempre ir além.


Enfim, meu caçula Luiz, é mais que orgulho ter a oportunidade de estar por perto, assistindo esse espetáculo do crescimento que é a saída da infância e a passagem pra vida de adulto. É muita alegria, aliás, só alegria!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O Dia que Mudou a Minha Vida

Tenho um orgulho na vida: filhos. São 3 orgulhos, mas o verdadeiro sentimento que me deixa cada dia mais feliz é ser pai deles. Não apenas porque sejam belos, ou inteligentes, batalhadores e pessoas sempre alegres, do bem, mas porque eles só me deram alegrias nesta vida. E quem iniciou esta trilha foi o Marco, o primogênito, aquele que fez meu coração vibrar com este sentimento pela 1ª vez. 

As mães que me desculpem, mas a paternidade é uma alegria impossível de superar. Uma alegria  que comecei a aprender há 30 anos, quando esse piá chegou na minha vida, num 15 de dezembro inesquecível. Com ele aprendi muito e sigo aprendendo a cada dia. Especialmente do como acreditar nas coisas boas. 

Pra quem não conhece, é um guri que trabalha desde os 16 anos e que, jamais me pediu um tostão pra qualquer coisa. Sempre bancou suas próprias aventuras. Mas acima de tudo, é o cara mais legal que conheço. Não canso de repetir isso.

Feliz aniversário Marco e vamos pra nova etapa, que esta já ficou pra trás. Agora é 2015. Ano novo e vida nova, onde quer que ela te leve. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

12 de Dezembro, Um Dia Que Me Faz Mais Feliz

Era tudo o que eu queria. Que sempre quis. Bem do jeitinho que desejava. Linda, feminina, inteligente, suscetível, decidida e temperamental. Enfim a mulher da minha vida nasceu. E imediatamente ocupou o espaço que havia em meu coração. Ali estava, desde o primeiro momento, o meu amorzinho, a dona dos meus sentimentos.

Por ela seria capaz de tudo, mas… nem sempre fui. Fraquejei e isso acabou nos afastando um pouco. Perdi a alegria de ver aquela menina crescer, a cada dia que passava e assim se tornar a deslumbrante mulher em que se transformou. Chegar da escola com suas conquistas, ou frustrações, aquelas coisas que fazem o ser humano crescer.


O tempo passou e hoje, ao ver o resultado da equação que surgiu daquele bebê amoroso nascido lá em casa, o orgulho e a emoção de ser pai da Juliana Adams Poli, a @JupoliShop é algo que me faz ter certeza que o tanto que passamos juntos, ou separados, valeu a pena.

E muita coisa boa ainda está por vir, porque eu que te amo minha filha, mais do que tudo que possa nos separar. Teu feijãozinho tá guardado e tô levando pra Sampa daqui uns dias.

Bj, meu amorzinho e só alegria neste dia que é tão teu.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Tá Achando Que Dividiram o Brasil?

Em 5 de novembro de 1838 começavam a ruir os Estados Unidos da América Central. Isso mesmo; a exemplo dos irmãos bem sucedidos do norte, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Guatemala se uniram em uma federação forte para melhor explorar o crescente comércio entre os oceanos Pacífico e Atlântico. Os Estados mantinham suas autonomias, como deve ser numa federação, mas raciocinavam e agiam em conjunto, em torno de conquistas e avanços, desde 1824. A total falta de infra-estrutura e comunicação, somados ao conluio carnal de igreja católica com latifundiários, demorou uma geração inteira, mas implodiu o conceito internacionalista na região em 14 anos.

Hoje vemos uma nova internacionalização na América. Desta vez iniciando pela parte sul do continente; a partir da Venezuela, estendendo pelo Brasil até Uruguai e Argentina, alcançando Bolívia e Equador, formando a Federação Bolivariana, com capital em Havana, Cuba. Lembrando que Paraguai, Peru e Colombia já pertenceram à Federação, mas dela jà escaparam e que pretendem anexar Martinica, Guadalupe, Aruba, Bonaire, Curaçao e a Guyana Francesa, exigindo suas completas independências e autonomias. Da mesma forma os bolivarianos reivindicam que a Inglaterra abra mão das Ilhas Malvinas, em favor da Argentina, tema imperativo assumido como uma causa latino-americana e caribenha. Ainda em vista, já que os chilenos se negam a fazerem alianças com países atrasados, exigem que seja retirado um pedaço do Chile e o mesmo entregue à Bolívia.

Voltando à América Central, somente a Nicarágua pertence ao bloco, enquanto El Salvador namora, posto que Honduras não gostou da experiência e pulou fora da barca bolivariana e, pra ir um pouco mais longe, a Federação defende o Estado Islâmico, o Hamas e a ditadura genocida que já matou 200 mil pessoas na Síria, bem como a invasão da Ucrania pelos russos, que aliás vendem armas para todos estes aí. Não termina por aí a pretensão internacionalista da Federação Bolivariana, já que apóia ainda o Movimento de Libertação Nacional Saharaui e da Frente Polisario, pela independência e autonomia de um trecho do deserto do Sahara, formando a República Árabe Democrática Sarahui. 

Ah, os bolivarianos NÃO admitem sequer a existência de tratados internacionais de livre comércio, como a Alianza del Pacifico, promovida por Chile, Peru, Colombia e Mexico, bem como do TransPacific Partnership, que une estes últimos a Estados Unidos, Japão, Austrália, Nova Zelandia, Malásia, Brunei, Singapura, Vietnam e Canadá.

E você aí, preocupado com a divisão fratricida que essa gente causou ao Brasil no processo eleitoral que acaba de encerrar. Melhor olhar além do horizonte, pois eles já dividiram o mundo e todas estas secessões conquistadas através de sangue. Muito derramamento de sangue. Armas russas, planejamento cubano e dinheiro do BNDES, talvez não sejam o suficiente para dividir a humanidade, mas com certeza farão um estrago irrecuperável até 2020. Se o mundo durar e a humanidade durarem tanto.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

No tempo da Reúna

Se não puder ler o texto, ouça, ou então leia e ouça por aqui


Voltava eu da caminhada ao por do sol no Guaíba, naquele horário em que as rádios brasileiras são obrigadas a entrar em cadeia, para reproduzir a nefasta Voz do Brasil, quando peguei aleatóriamente uma das fitas cassete que ganhei do amigo Pablo Fabián e coloquei no toca-fita do meu carro. Qual não foi minha surpresa quando escuto uma das primeiras músicas que dancei em minha vida, bem pertinho, coladinho com uma bela menina, em minha primeira reunião dançante. Penso naquele momento até hoje, especialmente quando encontro a parceira daquela contra-dança, que aliás continua linda e com um sorriso e olhar irresistíveis. Mas deixemos isso pra lá que a gente cresceu e ela é casada e, ainda que eu sinta a mesma ternura e atração por ela, não é certo se meter na vida dos outros, ainda mais se for pra atrapalhar.


Mas voltando à trilha sonora que rodava no toca-fitas do meu carro, ouvir aquela canção foi um mergulho imediato, num passado longe… longe. Daquele momento em que eu e meu metabolismo queríamos muito ficar próximo das gurias, mais especificamente: do corpo das gurias. Sentir aquele calor, o perfume, o toque de pele, de cabelo, ver de perto o olhar fugidio e, até mesmo tentar alguma coisa mais ousada. Era a infância chegando ao fim e a adolescência entrando sem pedir licença.

Acho que a primeira novela de televisão que chamou minha atenção foi um pouco antes de chegar nesta época. Beto Rockefeller, aquela que falava de coisas e hábitos da geração a qual eu pretendia pertencer. Qual não foi minha surpresa ao ingressar no mundo noturno e quase adulto das “reúnas” e reconhecer tantas músicas que tocavam na trilha da novela. Era abraçar a menina, dançar coladinho, fechar os olhos e me imaginar gente grande. Sem falar em tantas outras melodias que fui conhecendo enquanto rodava os pés pelo chão de tantas garagens, das casas dos pais de amigos. 

Música tem essa capacidade de levar nosso pensamento a lugares mágicos, que estariam perdidos num passado distante. Às vezes basta ouvir alguns poucos acordes daquela canção que nem lembrávamos mais, para surgir uma torrente de imagens e lembranças prazeirosas.

Assim é a vida. É bela… cheia de momentos mágicos, que construímos para nos dar alegria no futuro. E nem sabíamos disso no momento em que estávamos realizando as proezas. Seja por causa de um rostinho colado, de um beijo roubado, de uma luz negra fazendo do salão quase uma alcova, tudo isso forjou nossos sonhos e povoam nosso imaginário até hoje. Memórias que nos mostram que a felicidade existe e provam a nós mesmos que, mesmo num mundo agitado onde se convive com as conquistas e derrotas o tempo todo, NÃO é tão difícil assim ser feliz. Basta a música certa e ter construído essa lembrança.