quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Um caixa "especial". Momento positivo do dia

Estamos sempre com pressa. Então, nesta manhã, saindo da aula de italiano e no caminho para a academia, parei no Zaffari para pegar duas coisas, afinal aquilo não me retardaria nem 10 minutos.
Escolhidas as compras, dirijo-me a um caixa com pouca fila, no que me surpreendo com a lerdeza do atendimento. Olhei bem e reparei que tudo era devagar porque a menina fazendo o serviço de caixa e empacotamento das compras era portadora de síndrome de Down.
Primeira reação do estressado: "mas quem é que coloca uma pessoa assim para atrasar o cliente num supermercado?" Ato contínuo pensei em trocar de caixa, mas subitamente o anjinho azul mandou seu antagonista vermelho às favas e sussurrou em meu ouvido:"por que não espera tua vez e observa, enquanto isso?" Foi o que fiz.

A menina aparentava vinte e poucos anos e fazia toda a operação de forma binária, passando calmamente cada objeto no scanner, colocando-o confortavelmente no balcão e posteriormente pegando as bolsas e empacotando ítem por ítem com muita segurança.

Primeira reação do já desestressado: se uma pessoa portadora de uma dificuldade funcional tão importante é capaz de exercer esta função, por que é que tem gente considerada "normal" ocupando a mesma vaga? Se está provado -ela podia ser lenta, mas não errou- que a função pode ser executada por uma portadora de síndrome de Down, por que todas as outras caixas não são ocupadas por pessoas semelhantes e treina-se as atuais caixas para operações mais sofisticadas que requerem uma agilidade maior?

Daí o diabinho vermelho saiu do seu silêncio abjeto e gargalhou:"porque as outras não tem capacidade para mais. São umas toupeiras".
Ponto pro Zaffari que treinou a guria e apostou nela. Ponto pra ela, uma vitoriosa que não se abateu com a dificuldade que a vida lhe impôs e consegue se sustentar com um trabalho digno. E ponto pro vermelhinho, pois temos de concordar com ele: aquelas toupeiras que em geral nos atendem nos caixas de supermercados testam o limite de nossas paciências com suas estupidez e incompetência.

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