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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

SEM FREIO MORAL NÃO HÁ SOCIEDADE PLURAL

Originalmente publicado em 25/10/2018

“Não há moral em si, não há moral ideal ou moral eterna. A moral é relativa a cada sociedade, a cada época, relativa sobretudo aos interesses das classes sociais… os fins justificam os meios -quando são postas ao serviço de um fim justificado, a astúcia e a violência devem ser empregadas sem hesitação”
 Leon Trotsky
A formação da moral em cada um de nós inclui não apenas os costumes e valores que aprendemos de nossos pais, mas também as ideias sobre o certo e o errado que adquirimos da sociedade e da cultura em que vivemos. Neste processo eleitoral, fala-se muito em Lenin (acuse-os do que vc faz; chame-os do que vc é: mesmo que até hj ninguém tenha provado ser dele esta máxima, tampouco jamais alguém usou isso tão bem como ele), mas esquecem-se do outro teórico da Revolução Socialista, que foi Trotsky. É dele um livrinho curto intitulado Moral e Revolução, com 84 páginas, onde doutrina que a moral revolucionária não pode ser a mesma moral da sociedade comum. Assim pensam e agem os revolucionários de esquerda: com uma moral própria. Tudo farão para chegar ao poder e farão o impossível para não sair nem largar suas benesses. Logo, mentir e matar, para subjugar são fins que justificam os meios.
Basta olhar para as duas ditaduras de esquerda mais próximas do Brasil: Cuba e Venezuela. Na ilha, depois de conquistar o poder, Fidel e sua camarilha prenderam, torturaram, assassinaram e exilaram milhares de oponentes. O ídolo de 10 entre 10 esquerdistas, Tchê Guevara é um “serial killer” que matou pessoalmente mais de 600 pessoas, inclusive crianças e homossexuais, por quem nutria uma raiva jamais bem explicada. A outra ditadura vizinha é a Venezuela, local onde estamos assistindo todo o tipo de atrocidades, a começar pela falta de comida, pra não falar na violência imposta pelo Estado aos cidadãos. Como está respingando em nós brasileiros, este é um caso em que todos temos uma oposição mais declarada e a imensa maioria brada aos 4 ventos: “não queremos ser uma Venezuela”.
Como a lógica da esquerda é uma só, não pense que aqui será diferente. Quem não quiser ver o Brasil virar uma ditadura de esquerda, onde vai faltar não apenas o trabalho e oportunidade que já estão em falta, por consequência de 13 anos de governos do PT, sabe o que tem de fazer. Basta votar, neste Domingo, na única oportunidade que nos é dada para evitar o desastre com perda total. Não vai ter volta. Se eles voltarem será o fim. CUIDADO, ELES QUEREM VOLTAR!!!

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Stockholmssyndromet

Minha estrada é vasta e venho de longe. No caminho fiz amigos de todas as tribos, culturas e filosofias. Sempre procurando aprender e compreender o que leva o ser humano a ser tão genial e cometer tantas barbaridades. Na maioria das vezes tentando usar os 2 olhos e 2 ouvidos em detrimento da única boca. Aprendi com meu pai, um mestre nessa arte, que só falava oportunamente. Em compensação mamãe descontava, falando pelos cotovelos, mas pra isso estudou a vida inteira, ela que foi diplomata de carreira e sempre insistiu comigo para sempre estudar e me preparar pra não falar besteira.
Desde sempre aprendi então que o português é o cartão de visita de quem vive em Terra Brasilis, que a história é a base cronológica da argumentação e que estudar filosofia ajuda muito o raciocínio lógico e a compreensão de eros. Com certeza uma bela influência que guardamos de nossa mãe. Meu irmão, por exemplo, é pós-graduado em filosofia na Alemanha. Vai debater com ele pra ver se é um passeio no parque?
Ao mesmo tempo por ser criado num lar plural, com pai Trabalhista e mãe Udenista, aprendi desde sempre que a discussão política é basilar no pensamento humano. Somos animais políticos e que esta só -E SOMENTE SÓ- deve ser travada num ambiente de respeito às ideias dos interlocutores. Caso contrário quebraríamos os pratos em cada refeição lá em casa. Pelo contrário, sempre fomos da sopa à sobremesa e saímos alimentados, com os pratos salvos e com a cabeça sempre um pouco mais aberta a novas propostas.
Casualmente li, esta semana, um texto publicado pela revista americana Foreign Affairs (https://www.foreignaffairs.com/…/201…/your-brain-nationalism) que fala das interpretações feitas pelo córtex cerebral mediante estímulos contraditórios e ações mecânicas não usuais, em pleno escaneamento cerebral. As reações sempre tardam quando o raciocínio entra em ação, deixando claro que o ser humano traz razões culturais. Pelo estudo os próprios fundamentos do afeto e da cooperação também estão na raiz dos impulsos sombrios da humanidade. A culpa não é cultural; é atávica. O hormônio ocitocina, o mesmo que regula seu afeto e docilidade pela mãe desde o tempo do peito, quando vc não compreendia nada, é o mesmo responsável por agregar e dar estrutura fraternal a grupos heterogêneos, como um time de futebol ou uma claque partidária. É ela, a ocitocina, que leva os mamíferos a esse comportamento gregário e de proteção de grupo, mas que os faz feroz contra quem aparentemente está fora, quem não pertence ao mesmo “clã”. E a liberação do hormônio torna o grupo feroz, além de irracional. Sejam estes, chimpanzés de Uganda, torcedores de um clube de futebol, ou uma claque política.
Quem não aprende a controlar seus instintos, usando a razão a seu favor, vai sempre agir como um bando que precisa proteger os seus a todos custo, mesmo que não esteja sendo atacado, enquanto vai tentar destruir aquilo, ou quem, foi detectado como inimigo. É este o motivo científico da radicalização do debate, do “nós contra eles”. E a dissonância cognitiva daqueles que não tentam entender o contraditório, preferindo fechar-se no casulo do pensamento único, os levará a quebrar os pratos antes de aproveitar a refeição, inviabilizando duas coisas fundamentais à espécie humana: alimentar-se e desenvolver ideias, mas enfim, quem prefere se comportar como um bando de chimpanzés, não vai ter capacidade para entender o contraditório e fazer evoluir ideias dentro de um cérebro limitado.
Daí pra se apaixonar pelo algoz, por quem o colocou no cativeiro e causou sua tragédia, pq o alimenta e o mantém dentro do mesmo grupo é apenas uma demonstração de Síndrome de Estocolmo

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Noite de São João em Outros Tempos

No século passado esta seria uma segunda-feira pra pedir uns Pilas ao pai, antes dele sair para o serviço e, à tarde, pedir à mãe pra nos levar na Caramuru, ali na Cristóvão Colombo. “Caramuru, os Fogos que NÃO dão chabu…” dizia a propaganda. Levou anos para que mamãe permitisse comprar algo mais estridente que os inocentes “Estalinhos Bebê”, que de tão inofensivos podíamos estourá-los num estalar de dedos. Mas a gente foi crescendo e, apesar de ainda precisar pedir as merrecas pro pai, já saímos com os amigos pra comprar fogos, pois alguém sempre conhecia algum armazém onde havia os temidos “Cabeças de Negro”. Tudo isso pra estourar na Festa de São João, ao redor da fogueira, ao som de música alta e sempre tentando um quentão, pra acompanhar a pipoca e o pinhão. 
As fogueiras, cada vez mais altas, eram vistas nas praças de cada bairro ou clube e, se estivesse na estrada, podia-se avistá-las na entrada de cada cidade. Não é porque eu fosse pequeno que tinha a impressão de que elas eram tão altas; elas eram grandiosas mesmo. Tudo começava com um poste conseguido junto à CEEE. Naquela época os postes eram todos de madeira e a estatal de energia elétrica possuía lavouras de eucalipto para seu abastecimento. Só que aqueles postes têm vida útil limitada, pois a parte da madeira que é enterrada apodrece e eles precisam ser substituídos por novos. Os antigos, eram os alvos das associações de bairros, clubes, escolas e prefeituras para as festas juninas, enterrados no local da festa e em volta eram atirados pneus, restos de construções, galhos secos e tudo o mais que fosse inflamável.
Naquela época fazia frio em Junho, portanto estar perto de uma enorme fogueira em chamas era um bom programa e, quando mais ao fim da festa a estrutura ruía, era hora de pular o braseiro que ocupava uma imensa circunferência em meio ao ambiente da festa. Claro que esta proeza não era facultada aos piás, pelo risco envolvido, mas aos mais taludinhos e, invariavelmente aos tiozãos tchucos de tanta canha com quentão. Esses fatalmente terminavam a noite visitando o Pronto Socorro, com dedos a menos nas mãos pelo vacilo em alguma explosão de rojão, ou queimaduras generalizadas pelo corpo, depois de caírem na fogueira. Todos os anos assistíamos ao Flavio Cavalcanti implorando em seu programa de Domingo à noite para que as pessoas não brincassem com fogos, mas o noticiário do dia 25 era um rol de queimados e pessoas que perderam partes das mãos nas festas. 
Eram tempos mais leves e os guris se divertiam muito no dia seguinte à festa, aprontando com as bombas que sobraram. Encontrar um descampado onde se explodiam os Cabeças de Negro com latinhas vazias, só pra ver quantos metros aquilo subia no céu. Eu, de exibido, levei ao colégio pra mostrar aos colegas, quando o Nelson me dedou ao Seu Olavo e lá fui eu fazer minha primeira visita à diretora, Dona Wilma que, atenciosa como sempre, pediu que eu não levasse mais fogos para a escola. Em casa, o couro comeu, pois o Xerife havia carimbado uma mensagem, no meu Caderno de Deveres, para minha mãe assinar e ficar ciente do ocorrido. Depois de me aquecer com aquela imensa fogueira na noite de São João, na noite seguinte foi vez de esquentar antes do banho, com o couro da cinta de papai, habilmente manuseado por minha mãe. Outros tempos

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Piada Errada e Uma Coincidência Nefasta

   Entrei no imponente local de eventos, depois de deixar a possante com o “valet” e me dirigi à “promenage”, onde cheguei me apresentando da seguinte forma: “boa noite eu sou o pai da noiva”. Foi o que bastou para aquelas recepcionistas em forma de deusas me tratarem com uma reverência que eu gostaria ter tido de alguma das minhas esposas. Ato contínuo destinaram alguém para me conduzir ao lugar a mim reservado e assim fui entrando e vendo uma decoração de flores e luzes que deve ter custado um barco a motor, com Comodoro e sereias. Comecei a ficar impressionado e ligeiramente preocupado, até que fui chegando ao local que deveria a mim ser reservado e notei que não conhecia pessoa alguma e que a decoração não combinava com a da formatura de minha filha.
   Sim, foi uma infeliz brincadeira minha que coincidiu com o fato de eu estar no lugar errado, nos altos de Belém Velho, desconhecido por mim até no claro do dia, que dirá àquela altura da noite. Eu estava no local errado, no evento errado e tinha lançado mão da piada errada. E agora, como fazer o tempo voltar atrás??? Tratava-se mesmo de um casamento e toda equipe de suporte acreditou que eu era o pai da noiva.
   Só me restou sair de fininho dizendo que tinha esquecido as alianças no carro e me fui em direção à saída. Agora quando cheguei lá e pedi o carro de volta ao coordenador da equipe de “valets” disse que tinha mto automóvel no pátio e que iria demorar pra buscarem o meu de volta. Por sorte apareceu o largador para quem eu tinha entregue as chaves da possante e ele lembrava onde a tinha guardado. Desci com ele pelo interminável estacionamento, entramos no carro, ofereci uma gorjeta e lá fui eu procurar onde raios ficava a casa de eventos em que acontecia a festa de formatura de minha filha.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Dia dos Namorados

Originalmente publicado em 12/6/2015
Ela insistia, gostava, achava normal caminhar comigo de mãos dadas, com os dedos entrelaçados. Eu não, apenas, não gostava como morria de vergonha que me vissem naquela situação. Sempre gostei de andar de mãos dadas de conchas; assim foi com meu pai, com minha mãe e com as meninas mais tarde. Jamais tinha visto um pai andar de dedos entrelaçados com o filho, ou filha. Ao mesmo tempo eu gostava de me exibir caminhando com o braço por cima do ombro dela. Loira, alta, praticamente a exibia como um prêmio. Coisa da criação machista desse sul de mundo latino em que nasci e cresci.
Apesar disso fui amadurecendo e aprendendo a tratar das coisas do amor e da relação em casal. Conceder e avançar é a regra do jogo. É o que os namorados fazem até se decidirem um pelo outro definitivamente. O problema é parar de fazer isso quando tomaram a decisão e deram o passo mais definitivo e depois parar de jogar, deixar de conceder e avançar sempre. Entrar na monotonia, na rotina e não conseguir mais avançar, por ter perdido a habilidade de conceder. É preciso arriscar, mesmo que você tenha medo de perder. Friozinho na barriga é obrigatório para trazer novas emoções. Velhas emoções são boas pra álbum fotográfico, ou pra contar aos netos. Mas uma relação entre duas pessoas que se amam, precisa ter sempre emoções novas. Elas são o combustível que vai manter o motor da relação andando. Portanto não se acomode.
Quando se viaja pelo mundo e se conhece gentes e culturas diferentes, se aprende formas diferentes de amar entre as pessoas. E se aprende que o importante é deixar de lado os preconceitos e frescuras e não ter medo de demonstrar o que sente. Passeando pelas ruas centrais de Johannesburg reparei que os homens andam de mãos dadas. Isso mesmo. Da mesma forma que os brasileiros temos o hábito de andar uns com o braço por sobre os ombros dos amigos, especialmente quando precisamos contar algo ao pé do ouvido, eles andam de mãos dadas e… de dedos trançados.
E eu, cheio de frescura pra andar pelas ruas de Porto Alegre de mãos dadas, com os dedos trançados com o amor da minha vida. Não vá perder seu tempo como eu fiz, com bobagens. Rasgue o peito e deixe voar esse amor que está enjaulado aí dentro. Hoje é o melhor dia do ano pra fazer isso. Não deixe pra depois. Ame e seja amado. Você merece, aquela pessoa especial também. O mundo fica melhor com mais pessoas se amando. Feliz noite de Santo Antonio a todos!

sábado, 8 de junho de 2019

5 Anos Sem o Ídolo

Originalmente publicado em 8/6/2014

O ídolo não é um amigo íntimo que frequenta nossa casa, ou nós a dele. É uma referência em algo que faz e que gostaríamos fosse tomada como exemplo pelos outros, por nossos filhos até. A exceção é quando este ídolo é o pai, que está conosco desde que viemos ao mundo e cujos passos tentamos seguir, tentando trilhar uma caminhada tão edificante quanto o exemplo que ele deu. Mesmo assim, na maioria dos casos, ele acaba partindo e resta um vazio naquela mesa onde tá faltando ele e a saudade dele tá doendo em mim.

Já o ídolo que não nos é íntimo, quando parte, deixa uma tristeza sim, sentimento este que é logo seguido pela sublimação da referência que ele sempre significou. Seguirá com o mesmo brilho, sendo a mesma referência, pois sabemos que ao levantar o luto reverencial, seguiremos olhando as pegadas tão bem alinhadas no caminho que este ser diferente nos mostrou possível.

Os Colorados perdemos neste findi uma referência insuperável. O Capitão do time que nos deu a glória máxima de um Título Mundial. Aos 36 anos, rico, boa pinta, um atleta que sabia usar as palavras, um líder dentro e fora de campo, além de jogador com qualidades definitivas. Fernandão, o cara tangível, não está mais entre nós para pegarmos um autógrafo ou tirarmos uma "selfie" a seu lado, mas seu exemplo, sua referência estará sempre mostrando o caminho, nossa senda de vitórias, Colorado das glórias, orgulho do Brasil.


Valeu Capitão!!!

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Saudade Até Que É Bom

   Súbita saudade da época em que passava tanto tempo ouvindo rádio que decorava quase todos os jingles publicitários. “Saco, sacou, Saco e Cuecão… Moinhos, Salgado e Malcom” era a assinatura de todas as campanhas de uma rede de moda jovem que não está mais por aí.

   Tentaram lançar um jornal vespertino pra concorrer com a Folha da Tarde e lá veio o jingle: “papel sem qualidade me limpa toda tarde quero Hoje, vou limpar com ele… as piranhas na polícia, os travestis a putaria em geral; vou cagando e limpando em minhas mãos está um cocô de jornal”, claro essa era a corruptela do canção alardeada nas rádios e TV, mas foi a que ficou na cabeça e deve ter contribuído para o insucesso do vespertino.

  “USTóóópe, desbota e perde o vinco… denin indigo blue” a marca de uma calça que fez a transição do brim coringa para o jeans no Brasil daquela geração que cantava “hoje existe tanta gente que quer nos modificar, não quer ver nossos cabelos assanhados com jeito, nem quer ver a nossa calça desbotada o quê que há, se o amigo está nessa ouça bem: NÃO TÁ COM NADA!”

  Era o comércio pressionando a liberação de costumes contidos por uma ditadura que já respirava por aparelhos e que contra-atacou com um melodrama que tentava resgatar toda aquela moral; “este ano, quero paz no meu coração, quem quiser ter um amigo que me dê a mão, o tempo passa e com ele caminhamos todos juntos sem parar, nossos passos pelo chão vão ficar, marcas do que ficou sonhos que vamos ter, como todo dia nasce novo em cada amanhecer, UOUOU..!” Era mto importante esse “uouuou”, mas o tiro saiu pela culatra e o troço virou troça. Não tinha a força do “Eu te amo meu Brasil, eu te amo, meu coração é de Jesus e meu pulmão da Souza Cruz, eu te amo meu Brasil, eu te amo, ninguém segura os maconheiros do Brasil”, mas também virou gozação.


   Sinto saudades do tempo em que tinha tempo pra ver o tempo passar. A juventude é uma idade horrível que apreciamos apenas no momento em que sentimos saudade dela