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domingo, 19 de janeiro de 2020

A Culpa É Do Idílio

Originalmente publicado em 19/01/2012
idílio
s.m. Tipo de poema campestre que se desenvolveu entre os antigos gregos. (Sin.: écloga, pastoral.)
Fig. Sonho, fantasia, devaneio.
Fig. Entretenimento amoroso; amor suave e puro. O nome deriva da palavra grega para pequena composição


Gosto quando as coisas acontecem por acaso e de forma generosa. As mais importantes coisas da vida, ganha-se de graça. Dificilmente se as compra.
E assim foi que cheguei ao bar onde encontrei uma florida mesa de mulheres maduras, sorvendo seu vinho e destilando sua feminilidade. A conversa rolou solta e de forma agradável, até que o assunto sexo veio à baila. Estranho isso em mesa de gurias, né..?
Foi a deixa para eu me exibir um pouco, no momento em que todas prestaram atenção à única opinião masculina da mesa. Muitas risadas, algumas declarações ligeiramente assanhadas, mas nada profundo, tipo papo-cabeça, que sempre arrasa uma situação dessas. Mas tem gente que não faz sexo, apenas pensa nele e acreditam que os outros também precisam colocar isso NA CABEÇA. Ainda bem que ali isso não acontecia e ria-se muito ao papo solto.
Até que a decana da mesa definiu uma verdade, que pra mim até aquele momento era apenas uma penumbra: eu descortinava mas não a conseguia definir. Disse ela: "o problema da mulher é querer transformar sexo em amor".
Isso é definitivo. Mulher não consegue sair pra diversão, encontrar alguém com quem tenha aquele momento "inesquecível" e, simplesmente esquecer no dia seguinte. Ela precisa transformar aquilo em amor. Como o cachorro sabe disso, ele vai aproveitar essa tendência irrefreável de transformar um grande momento no amor de uma vida, enquanto a brincadeira estiver agradável e depois largar o osso e seguir seu rumo. Mas ela não vai admitir isso. O brinquedo é DELA e só ELA pode decidir quando isso acaba. Ainda mais que ela fez o "investimento" para transformar sexo em amor, num grande amor. 
O pior de tudo é que ela sabe que esse grande amor é algo que está em livros e filmes, na poesia ou no sonho, mas raramente na vida real. Especialmente em situações criadas a partir de uma simples caçada na balada. Esse "grande amor" não passa de um devaneio, uma fantasia, um idílio.
Existem exceções? Claro que as há. Quando duas pessoas que têm bom senso e a capacidade de amadurecer paixão para amor e seguir amando-se de forma apaixonada, o amor acontece sim. Aí, que seja eterno enquanto dure e sirva de exemplo

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

LÁ ONDE O SOL NÃO BATE, NÃO BATIA; AGORA BATE

Estamos no auge da estação, clima seco e abrasivo no sul do mundo. O verão 2020 chegou com a marca do Banho de Sol no furico. A estação mais quente sempre tem uma característica própria; lembram do verão da lata??? Pois é, por alguma tendência que invadiu as redes após a postagem de uma naturista da California, adepta do “Perineum Sunning”, defendendo a prática como uma técnica taoísta anciã, que previne o organismo de permitir o esvaziamento do “Chi”(força vital), o bronzeamento lá “onde o Sol não bate”, viralizou.
A halterofilista e professora de sexo tântrico garante que sentiu "surtos de energia quase imediatamente” após o 1º bronze anal, ao nascer do sol. Meagan também disse que teve melhor sono, melhor conexão com sua 'energia sexual' e controle de sua 'força vital’. Sem falar que ela garante sentir-se tão energizada pelo Sol da manhã, lá onde ele não batia, que substituiu até o café pela prática.
Depois da sequência de posts dela no Instagram, o que se viu foi um séquito internacional à tendência. Inclusive diversas celebridades adotaram o bronze anal como tendência, vários destes indo parar no hospital com queimaduras graves e tendo que ficar sem sentar enquanto as feridas cicatrizavam. 
Segundo a “influencer”, o melhor horário para a prática é quando o Sol surge no horizonte. Portanto não estranhe se for dar sua caminhada na praia, ao amanhecer, e avistar gente despida, na posição sugerida pela foto, bronzeando o furico. Não é safadeza; é energização tântrica. Então inspire, suspire, relaxe e, como dizia aquela canção da Blitz… “Deixe o Sol entrar, deixe o Sol entrar, deixe o Sol entrar…”

terça-feira, 19 de novembro de 2019

POR UM ESTADO MENOS OPULENTO

Uma Constituição é a Lei Maior de um Estado e a ela, em regra, cabe o papel de limitar o poder deste. A limitação do Poder do Estado deveria servir principalmente para garantir as liberdades individuais, jamais para criar castas de poderosos intocáveis. O melhor exemplo são os Ministros do STF. Embora exerçam função de magistrados da mais alta Corte de Justiça, dentro da estrutura do Poder Judiciário. Tal função só deveria ser exercida por Juízes, mas dentro do arcabouço tupiniquim qualquer ser com o carimbo de “notável saber jurídico” pode ser indicado pelo Presidente da República de plantão no Poder Executivo.
Reparem que este “notável saber jurídico” foi carimbado na testa do então Advogado Geral da União, Dias Toffoli aos 42 anos de idade, cabendo a ele desde 2009 o direito a um cargo vitalício com todas as benesses. Lembrando que quando advogado, prestou duas vezes concurso para juiz sem sucesso, pois não possui saber jurídico necessário para exercer a magistratura. Já que a função de Ministro do Supremo não é exclusiva de juiz, o STF deveria ser retirado do Poder Judiciário e deixar de existir como 4ª Instância da Justiça, atendo-se exclusivamente ao seu dever original de fiscal da Constituição
Para atender seus 11 Ministros, o Supremo possui uma frota de 84 veículos, 1.135 servidores+93 cedidos de outras repartições, 340 estagiários e 820 profissionais terceirizados, ou seja: algo em torno de 218 pessoas para cada ministro. Fazendo um esforço imenso pra não especificar os 24 Copeiros e 27 Garçons. Tudo isto custou aos pagadores de impostos brasileiros a bagatela de quase 800 Milhões em 2018.
Só quem tem o poder de fiscalizar e exigir limites do ministros do STF é Poder Legislativo através do Senado da República. São 81 Senadores e para atender estes parlamentares a casa superior do Congresso abriga 5.828 servidores+230 cedidos, quase outros 4mil entre terceirizados e estagiários, somando mais de 120 pessoas para atender 1 Senador ao custo de R$ 4,5 Bilhões/ano.
Sejamos claros: tanto faz atacar este ou aquele Ministro do Supremo, ou algum Senador eventualmente ocupando a Presidência do Senado. O que tem de ser combatido é essa opulência gigantesca que custa tanto aos pagadores de impostos e que não oferece nada em troca. É basicamente o mesmo que privatizar estatais. É diminuir o tamanho do Estado. Liquidar com estas frotas e exércitos de servidores para operar a inoperância destas repartições que sangram a nação. 

Começar com a extinção da terceira vaga ao Senado, que foi criada no auge da Ditadura Militar para todos os estados e DF e automático corte de um terço dos servidores da casa. Depois discutir a extinção do Senado em si. E se um Senador tem direito a um mandato de 8 anos, pra que um Ministro do STF precisa mais que isso. Dias Toffoli pode ficar até 33 anos na função e depois ainda se aposenta com vencimentos e vantagens “ad perpetuam”.
Hora de começar a enxugar as despesas e só aqui teremos uma economia de Bilhões de Reais por ano

domingo, 10 de novembro de 2019

A CONSTANTE DE AVOGRADO

É reconhecida ao cientista italiano Amedeo Avogrado a paternidade do cálculo da massa das moléculas, que passou a ser conhecida como “Constante de Avogrado(NA)”. Basicamente é um cálculo de “X” vezes “10²³” (na vigésima terceira potência), onde o “pai da criança” estabeleceu no começo do século 19 que X=6,02. Mais tarde aprimorou-se o cálculo deste valor para 6,022 e posteriormente para 6,022 140 76 e isso vem se atualizando através dos tempos. Hoje está assim:
Posso demonstrar aqui como se aplica isso para calcular a massa molecular de algum elemento, mas isto aqui não é uma aula de química, apenas um breve arrazoado sobre viagens no tempo. Quem curte ficção científica com certeza lembra do filme “A Mosca da Cabeça Branca”, de Kurt Neumann, 1958. Nele um cientista aloprado está desenvolvendo um aparelho de teletransporte e decide testar o experimento em si mesmo. Mesmo tendo  feito tudo certo, ele não percebe que uma mosca entra ao seu lado dentro do aparelho e o resultado é uma aberração.


Por mais aproximados que sejam os cálculos para uma equação matemática, tanto a química quanto a física, especialmente esta, levam em consideração a existência do imponderável. Assim sendo, enquanto a aproximação dos valores não chegar a um termo de exatidão controlável, melhor usar sintéticos para o teletransporte, ou para viajar no tempo. O problema com estes replicantes enviados para viajar no tempo é que, na solidão e ausência de referência das eras em que são colocados, tendem aos piores vícios. Especialmente aos que abrem portas sensoriais, caminhos que só deveriam ser trilhados por humanos iniciados. E ao pretenderem trilhar tais caminhos, tornam-se instáveis, sentem desejos, acreditam que podem ser espiritualizados, ou pior, sucumbem à ficção de que podem experimentar o fervor de uma paixão. Daí pra optarem pelo exílio e viverem embriagados no Munden’s Bar -que fica em Cynosura, cidade-Estado localizada na borda do universo, entreposto comercial entre os multiversos transdimensionais, é um pulo numa dobra espaço-temporal.

Claro que vc sabe que do centro do nosso universo até seu limite final são 46 Bilhões de anos luz vezes “10²³”, o que significa que jamais provaremos que existe uma borda, ou seu fim, ou como diria Stephen Hawkins, o maior astro-físico da 2ª metade do século 20, cujo corpo mostra os resultados do teletransporte no tempo: “se o universo tem uma borda não faz sentido, porque se o universo veio do nada e trouxe tudo à existência, perguntar o que está além do universo é como perguntar qual é o norte do Polo Norte”.

Em tempo: este é um texto de ficção. Replicantes são personagens do filme Blade Runner, de Ridley Scott e Cynosura assim como Munden’s Bar só existem nas histórias em quadrinhos de Grim Jack, personagem criado por John Ostrander. E o universo segue em expansão. Ou não


Bibliografia sugerida: 
Revelações do Imaginário Mágico, de Valério Azevedo (encontre aqui)
O Livro dos Demônios, de Antonio Augusto Fagundes Filho (encontre aqui) 

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

SEM FREIO MORAL NÃO HÁ SOCIEDADE PLURAL

Originalmente publicado em 25/10/2018

“Não há moral em si, não há moral ideal ou moral eterna. A moral é relativa a cada sociedade, a cada época, relativa sobretudo aos interesses das classes sociais… os fins justificam os meios -quando são postas ao serviço de um fim justificado, a astúcia e a violência devem ser empregadas sem hesitação”
 Leon Trotsky
A formação da moral em cada um de nós inclui não apenas os costumes e valores que aprendemos de nossos pais, mas também as ideias sobre o certo e o errado que adquirimos da sociedade e da cultura em que vivemos. Neste processo eleitoral, fala-se muito em Lenin (acuse-os do que vc faz; chame-os do que vc é: mesmo que até hj ninguém tenha provado ser dele esta máxima, tampouco jamais alguém usou isso tão bem como ele), mas esquecem-se do outro teórico da Revolução Socialista, que foi Trotsky. É dele um livrinho curto intitulado Moral e Revolução, com 84 páginas, onde doutrina que a moral revolucionária não pode ser a mesma moral da sociedade comum. Assim pensam e agem os revolucionários de esquerda: com uma moral própria. Tudo farão para chegar ao poder e farão o impossível para não sair nem largar suas benesses. Logo, mentir e matar, para subjugar são fins que justificam os meios.
Basta olhar para as duas ditaduras de esquerda mais próximas do Brasil: Cuba e Venezuela. Na ilha, depois de conquistar o poder, Fidel e sua camarilha prenderam, torturaram, assassinaram e exilaram milhares de oponentes. O ídolo de 10 entre 10 esquerdistas, Tchê Guevara é um “serial killer” que matou pessoalmente mais de 600 pessoas, inclusive crianças e homossexuais, por quem nutria uma raiva jamais bem explicada. A outra ditadura vizinha é a Venezuela, local onde estamos assistindo todo o tipo de atrocidades, a começar pela falta de comida, pra não falar na violência imposta pelo Estado aos cidadãos. Como está respingando em nós brasileiros, este é um caso em que todos temos uma oposição mais declarada e a imensa maioria brada aos 4 ventos: “não queremos ser uma Venezuela”.
Como a lógica da esquerda é uma só, não pense que aqui será diferente. Quem não quiser ver o Brasil virar uma ditadura de esquerda, onde vai faltar não apenas o trabalho e oportunidade que já estão em falta, por consequência de 13 anos de governos do PT, sabe o que tem de fazer. Basta votar, neste Domingo, na única oportunidade que nos é dada para evitar o desastre com perda total. Não vai ter volta. Se eles voltarem será o fim. CUIDADO, ELES QUEREM VOLTAR!!!

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Stockholmssyndromet

Minha estrada é vasta e venho de longe. No caminho fiz amigos de todas as tribos, culturas e filosofias. Sempre procurando aprender e compreender o que leva o ser humano a ser tão genial e cometer tantas barbaridades. Na maioria das vezes tentando usar os 2 olhos e 2 ouvidos em detrimento da única boca. Aprendi com meu pai, um mestre nessa arte, que só falava oportunamente. Em compensação mamãe descontava, falando pelos cotovelos, mas pra isso estudou a vida inteira, ela que foi diplomata de carreira e sempre insistiu comigo para sempre estudar e me preparar pra não falar besteira.
Desde sempre aprendi então que o português é o cartão de visita de quem vive em Terra Brasilis, que a história é a base cronológica da argumentação e que estudar filosofia ajuda muito o raciocínio lógico e a compreensão de eros. Com certeza uma bela influência que guardamos de nossa mãe. Meu irmão, por exemplo, é pós-graduado em filosofia na Alemanha. Vai debater com ele pra ver se é um passeio no parque?
Ao mesmo tempo por ser criado num lar plural, com pai Trabalhista e mãe Udenista, aprendi desde sempre que a discussão política é basilar no pensamento humano. Somos animais políticos e que esta só -E SOMENTE SÓ- deve ser travada num ambiente de respeito às ideias dos interlocutores. Caso contrário quebraríamos os pratos em cada refeição lá em casa. Pelo contrário, sempre fomos da sopa à sobremesa e saímos alimentados, com os pratos salvos e com a cabeça sempre um pouco mais aberta a novas propostas.
Casualmente li, esta semana, um texto publicado pela revista americana Foreign Affairs (https://www.foreignaffairs.com/…/201…/your-brain-nationalism) que fala das interpretações feitas pelo córtex cerebral mediante estímulos contraditórios e ações mecânicas não usuais, em pleno escaneamento cerebral. As reações sempre tardam quando o raciocínio entra em ação, deixando claro que o ser humano traz razões culturais. Pelo estudo os próprios fundamentos do afeto e da cooperação também estão na raiz dos impulsos sombrios da humanidade. A culpa não é cultural; é atávica. O hormônio ocitocina, o mesmo que regula seu afeto e docilidade pela mãe desde o tempo do peito, quando vc não compreendia nada, é o mesmo responsável por agregar e dar estrutura fraternal a grupos heterogêneos, como um time de futebol ou uma claque partidária. É ela, a ocitocina, que leva os mamíferos a esse comportamento gregário e de proteção de grupo, mas que os faz feroz contra quem aparentemente está fora, quem não pertence ao mesmo “clã”. E a liberação do hormônio torna o grupo feroz, além de irracional. Sejam estes, chimpanzés de Uganda, torcedores de um clube de futebol, ou uma claque política.
Quem não aprende a controlar seus instintos, usando a razão a seu favor, vai sempre agir como um bando que precisa proteger os seus a todos custo, mesmo que não esteja sendo atacado, enquanto vai tentar destruir aquilo, ou quem, foi detectado como inimigo. É este o motivo científico da radicalização do debate, do “nós contra eles”. E a dissonância cognitiva daqueles que não tentam entender o contraditório, preferindo fechar-se no casulo do pensamento único, os levará a quebrar os pratos antes de aproveitar a refeição, inviabilizando duas coisas fundamentais à espécie humana: alimentar-se e desenvolver ideias, mas enfim, quem prefere se comportar como um bando de chimpanzés, não vai ter capacidade para entender o contraditório e fazer evoluir ideias dentro de um cérebro limitado.
Daí pra se apaixonar pelo algoz, por quem o colocou no cativeiro e causou sua tragédia, pq o alimenta e o mantém dentro do mesmo grupo é apenas uma demonstração de Síndrome de Estocolmo

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Noite de São João em Outros Tempos

No século passado esta seria uma segunda-feira pra pedir uns Pilas ao pai, antes dele sair para o serviço e, à tarde, pedir à mãe pra nos levar na Caramuru, ali na Cristóvão Colombo. “Caramuru, os Fogos que NÃO dão chabu…” dizia a propaganda. Levou anos para que mamãe permitisse comprar algo mais estridente que os inocentes “Estalinhos Bebê”, que de tão inofensivos podíamos estourá-los num estalar de dedos. Mas a gente foi crescendo e, apesar de ainda precisar pedir as merrecas pro pai, já saímos com os amigos pra comprar fogos, pois alguém sempre conhecia algum armazém onde havia os temidos “Cabeças de Negro”. Tudo isso pra estourar na Festa de São João, ao redor da fogueira, ao som de música alta e sempre tentando um quentão, pra acompanhar a pipoca e o pinhão. 
As fogueiras, cada vez mais altas, eram vistas nas praças de cada bairro ou clube e, se estivesse na estrada, podia-se avistá-las na entrada de cada cidade. Não é porque eu fosse pequeno que tinha a impressão de que elas eram tão altas; elas eram grandiosas mesmo. Tudo começava com um poste conseguido junto à CEEE. Naquela época os postes eram todos de madeira e a estatal de energia elétrica possuía lavouras de eucalipto para seu abastecimento. Só que aqueles postes têm vida útil limitada, pois a parte da madeira que é enterrada apodrece e eles precisam ser substituídos por novos. Os antigos, eram os alvos das associações de bairros, clubes, escolas e prefeituras para as festas juninas, enterrados no local da festa e em volta eram atirados pneus, restos de construções, galhos secos e tudo o mais que fosse inflamável.
Naquela época fazia frio em Junho, portanto estar perto de uma enorme fogueira em chamas era um bom programa e, quando mais ao fim da festa a estrutura ruía, era hora de pular o braseiro que ocupava uma imensa circunferência em meio ao ambiente da festa. Claro que esta proeza não era facultada aos piás, pelo risco envolvido, mas aos mais taludinhos e, invariavelmente aos tiozãos tchucos de tanta canha com quentão. Esses fatalmente terminavam a noite visitando o Pronto Socorro, com dedos a menos nas mãos pelo vacilo em alguma explosão de rojão, ou queimaduras generalizadas pelo corpo, depois de caírem na fogueira. Todos os anos assistíamos ao Flavio Cavalcanti implorando em seu programa de Domingo à noite para que as pessoas não brincassem com fogos, mas o noticiário do dia 25 era um rol de queimados e pessoas que perderam partes das mãos nas festas. 
Eram tempos mais leves e os guris se divertiam muito no dia seguinte à festa, aprontando com as bombas que sobraram. Encontrar um descampado onde se explodiam os Cabeças de Negro com latinhas vazias, só pra ver quantos metros aquilo subia no céu. Eu, de exibido, levei ao colégio pra mostrar aos colegas, quando o Nelson me dedou ao Seu Olavo e lá fui eu fazer minha primeira visita à diretora, Dona Wilma que, atenciosa como sempre, pediu que eu não levasse mais fogos para a escola. Em casa, o couro comeu, pois o Xerife havia carimbado uma mensagem, no meu Caderno de Deveres, para minha mãe assinar e ficar ciente do ocorrido. Depois de me aquecer com aquela imensa fogueira na noite de São João, na noite seguinte foi vez de esquentar antes do banho, com o couro da cinta de papai, habilmente manuseado por minha mãe. Outros tempos