domingo, 4 de março de 2018

Inteligência Artificial Atormentando Nossas Vidas

Em algum momento vc já teve o sentimento de que os algoritmos de algumas ferramentas de internet estão lhe tirando pra bobo? Vc fez uma pesquisa sobre preços de viagens aéreas pra Fernando de Noronha. Do nada surge no seu Facebook, ou Google, anúncios de roteiros e locais para ficar naquele paraíso, ou ofertas de alguma das companhias pesquisadas. Já aconteceu com vc, né? Pois é, vc já está sendo manipulado por AI-Inteligência Artificial. Aquilo que os filmes de ficção científica avisaram durante meio século como sendo o crime terminal contra a humanidade e que vc sempre achou que não passava de ficção está aí, no seu smartphone, ou computador, via internet.

Ainda é td um processo inicial, mas já está acontecendo. Ano passado tive um embate com um desses esquerdopatas com espaços numa rede de TV por assinatura e o dito cujo lançou seu exército de “fakes” pelas redes pra me fazer denúncias. Resultado? Fiquei fora do ar na principal rede onde represento meus clientes por 11 dias em um mês. Um terço do período, onde descobri que já existem escritórios de advocacia especializados neste tipo de conflito, pois eu, um ser humano, não consigo argumentar com a ferramenta. O algoritmo acatou a denúncia, não há a quem mais recorrer. Estou fora, cortado e censurado. Vai argumentar com AI.

Citei um caso de prejuízo pessoal onde posso quantificar o erro e entrar com uma ação indenizatória, mas e se determinada empresa comprar um programa de AI que vai fazer o primeiro julgamento de filtragem para uma vaga de trabalho? Isto já existe e mta gente deixa de ser qualificada apenas pq o algoritmo detectou uma “falha” nas informações apresentadas pelo candidato. A pessoa pode estar perdendo a chance de trabalho mais importante da vida dela, por algo que nem tem como averiguar, entender ou contrapor. Se o mesmo acontecer com a avaliação de prioridades dos que estão na fila esperando por um órgão doado para fazerem um transplante?  O algoritmo cruza as informações e pula um determinado receptor, há anos na fila, por julgar que ele não preenche os requisitos tão bem quanto o próximo. Isso já existe. O pior é saber que a AI conhece vc mais que vc mesmo(a). E que o programa foi feito por alguém, logo os preconceitos ali estabelecidos são os mesmos dos chatos de plantão.

É o fim do mundo? Não ainda, mas é chato pra caramba.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O Dia Em Que A Religião Me Faz Bipolar

"Quarta-feira de Cinzas" marca o início da quaresma, período em que os católicos praticam jejum alimentar e celibato. Justo hj tinha de cair o #ValentinesDay ??? Ok, vc pode perguntar se eu não tenho nada mais importante com o que me preocupar, seja o aproveitamento político do Gordinho Atômico em cima das Olimpíadas de Inverno na Coreia do Sul, ou o enredo da Escola de Samba que defendeu uma Organização Criminosa em rede de TV aberta na Marques de Sapucaí. 

Ora bolas, se o Carnaval significa a despedida da carne -do latim carne vale- e por isso cai numa Terça-feira Gorda, o jejum inicia justo na Quarta-feira de Cinzas. Jejum, penitência e celibato, até o Domingo de Ramos. Mas como praticar isso se nesta mesma data se comemora o dia consagrado a São Valentim? Ele que desobedecendo as ordens do Imperador Claudio II, seguiu casando os romanos apaixonados, em tempos que o matrimônio foi proibido pelo conquistador Claudio, que precisava de soldados, não de famílias. Pois o Bispo rebelde acreditava no amor e seguiu casando, até que foi preso. Mtos jovens acorreram ao local do cárcere do Bispo casamenteiro para deixar bilhetes, entre os quais a jovem e cega filho do carcereiro. Este, apiedado da filha, deixou que ela tivesse acesso ao eclesiástico. Do encontro brotou um amor e um milagre: repentinamente a cegueira da jovem estava curada e o Bispo, que acreditava na força do amor, alcançou um bilhete às mãos daquela que agora podia ver assinado “…de seu Valentim”.

Em 14 de fevereiro do Ano da Graça de 270, o Imperador encerrou as trocas de bilhetes, decapitando o Bispo que, em função do milagre e do amor que propagou tornou-se o padroeiro dos enamorados, sendo esta data considerada como o dia dos casais apaixonados em boa parte do mundo. A frase do santo foi eternizada em cartões que os apaixonados enviam à pessoa amada, sempre solicitando “me deixa ser seu Valentim”. 


Ó dúvida bipolar: descolo uma namorada em homenagem ao Santo do dia e a convido pra sair hj, mas vou logo avisando que não podemos jantar, ou fico em casa ajoelhado no milho sem comer, beber e sexo então nem pensar???

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Imposto É Roubo e o Estado Brasileiro Mata

Meu caçula, que acaba de passar no vestibular para Medicina, ontem à tarde comenta que errou de escolha, pois deveria ter cursado Engenharia, já que teria mercado de trabalho garantido em Brasilia, onde parecem faltar profissionais da área. Foi quando soube da queda do viaduto sobre a Rodoviária local. Lembrando que 2 dias antes despencou um setor inteiro de estacionamento de um prédio residencial na Capital Federal.

Agora leio na TL de uma querida amiga que reside no Distrito Federal há décadas, da vergonha que sente por morar neste Brasil que vem sendo construído sem verdades, sem sinceridade, sem compromisso com nada e com ninguém. Afinal aquele viaduto e outras obras viárias da Capital, foram vistoriadas e problemas sérios foram apontados em análises feitas uma década atrás, sendo que em 2012 um estudo apontado em relatório do Tribunal de Contas do DF mostrava textualmente da necessidade de obras neste viaduto que caiu. 

Agora, vejamos como opera o Estado brasileiro. O TCDF apontou a necessidade das reformas, mas em momento algum determinou que estas fossem realizadas. Assim sendo, nada foi feito.  Só houve manutenção naqueles viadutos do Eixão entre 2012/2014, ação realizada apenas porque em 2011 um Juiz Federal determinou ao governo do DF que colocasse no orçamento verba para a execução a obra. Logo após a Secretaria de Mobilidade do DF contratou o Professor da UNB, dr. Dickran Berberian, especialista em fundações, para avaliar as construções viárias do entorno da Rodoviária.

Assim sendo voltamos ao ponto que sempre retorna nesse Brasil decadente; um juiz determinou = obras cumpridas. Um tribunal recomendou, mas não determinou e obras não foram realizadas. Um perito analisou e nada encontrou, mas mesmo assim obras foram feitas e o viaduto caiu. Este é o Estado brasileiro. Suga as energias dos brasileiros, enriquecendo os personagens que manipulam seus entes, mas não presta os serviços pelo que cobra. 

Leio que um morador de rua, que vivia sob o viaduto caído, comenta que não existe sinalização indicativa sobre altura máxima, nos caminhos que levam à passagem de nível. Então chegam muito caminhões mais altos que a laje do viaduto, batem, raspam e arrancam pedaços do concreto. Graças a isso, buracos permitem a passagem e infiltração da água, quando chove no Planalto Central.


Ao fim, ninguém será culpado, outra obra será erguida pra tapar o buraco da que se perdeu e os usuários de trânsito na Capital sofrerão todos os transtornos causados pelos desvios enquanto isso não ficar pronto. Sem falar que cada centavo do custo disso será mais uma vez cobrado de todos nós. Ao menos não morreu ninguém, o que não faria a menor diferença para aqueles que manipulam os entes do Estado brasileiro.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Deu Pra Ti Baixo Astral, Vou Pra Porto Alegre Tchau

Ao fim dos anos 70 o Brasil começava a encaminhar o epílogo do Regime Militar, no comando do poder desde 1964. Os gaúchos, que sempre tivemos algum relevo no cenário político nacional, empolgávamos o país com a alegria da canção de Kleiton e Kledir, contando as coisas positivas de vir pra Capital Gaúcha, mesmo para os que não são daqui como a dupla, que veio de Pelotas. Nessa época a esquerda brasileira tentava unir seu maior contigente histórico em torno da construção de um partido novo, agregando as tendências que sempre digladiavam entre si, atrapalhando o projeto de um governo socialista: era o início do Partido dos Trabalhadores.

Ainda não havia eleições diretas para governador, prefeito das capitais, cidades tidas como de segurança nacional, bem como estâncias hidro-minerais. Presidente da República nem pensar. Isto só veio com a pressão do povo nas ruas durante a campanha que ficou conhecida como Diretas Já e da votação da emenda parlamentar do deputado Dante de Oliveira no Congresso, restabelecendo eleições diretas em todos os níveis. Menos para Presidente.

Grandes nomes da política banidos pelo Regime Militar, aproveitam a proclamação da anistia para retornar. O partido que agregava a oposição era o MDB e um de seus principais líderes históricos, Pedro Simon vai a Nova Iorque se encontrar com Leonel Brizola, tentando o convencer da importância da união das oposições naquele momento. Os caudilhos gaúchos não entram em acordo e ambos voltam a Porto Alegre. Um para onde morava e o outro depois do mais longo exílio que um cidadão brasileiro já sofreu na história. Assim Brizola voltava para a cidade de onde comandou a Campanha da Legalidade, quando governador e da qual foi prefeito. Entrou no país por São Borja e veio a Porto Alegre, onde sentiu-se tão acarinhado que se encheu de energia e seguiu direto para o Rio, querendo reconstruir o trabalhismo. Se deu mal, pois o artífice dos militares, Golbery do Couto e Silva tinha armado uma arapuca, passando a sigla histórica para as mãos de Ivete Vargas. Triste, com ar de derrotado, aos prantos, enfiou a viola no saco e veio pra Porto Alegre. Tchau ilusão de conquistar o Brasil. Na Capital Gaúcha renovou as energias, reencontrou seu furor cívico e construiu um novo partido, com aquele brilho nos olhos que era uma de suas marcas.

Lula andou cabisbaixo neste janeiro. Sentiu que o cerco apertou sobre si e que seus advogados estão prestes a jogar a toalha e tentar acordos para diminuir as penas a que está condenado. Seu último discurso em SP, antes do julgamento dos recursos que tentam impedir sua prisão, pelo TRF4, deixou nítido o baixo astral daquele que já foi considerado “O Cara”. O que fizeram os amigos do ex-Presidente? Enfiaram mais de mil soldados do partido e da CUT em uma caravana e mandaram que a claque rumasse a Porto Alegre. Ato contínuo convenceram o sindicalista do ABC que ele devia mudar de ideia e ir à Capital Gaúcha. Sim, ele desistira de vir ao sul. Estava embarcando pra Etiópia.


Chegou aqui, viu algumas dezenas de correligionários que o foram esperar no aeroporto Salgado Filho, foi colocado em uma viatura com escolta policial e conduzido pelas ruas sujas e esburacadas da cidade até o mal cheiroso e fétido Centro Histórico, onde o grosso da claque o aguardava para um comício. Foi uma boa tentativa de Lula, mas o baixo astral agora faz morada em nossa cidade. E com certeza a culpa não é de Kleiton, Kledir e sua canção. Deu pra ti alto astral, pra Porto Alegre você disse tchau. E Lula vai pra Adis Abeba ainda mais deprê do que aqui chegou.

sábado, 6 de janeiro de 2018

O Espião Que Mamava

Brasileiro ama uma teoria da conspiração. Quando não tem uma, cria assim do nada. Se houver ingredientes estranhos no assunto, aí então é batata. Pois mto bem, vocês sabem qual o maior negócio ilícito do planeta? Quem respondeu o tráfico ganhou uma bala gasosa. Sim, o tráfico, seja de armas, de drogas, animais silvestres ou de pessoas é, de longe, o maior negócio ilegal do planeta. Acreditem: o tráfico de seres humanos rende tanto quanto drogas. 

   No ano passado o jornal El País, de Montevideo, contou a história de um cubano de 75 anos de idade, residente na capital uruguaia, que foi investigado e criminalmente julgado por 12 compatriotas que ele fez sairem do feudo insular da família Castro e chegarem até a Banda Oriental, numa viagem maluca que inicia em Havana, segue de avião à Guiana, onde os fugitivos vão de taxi até a divisa com o Brasil, são atravessados de barco por coyotes, rumam a Boa Vista, de onde pegam avião para Manaus ou Brasilia, partindo dali para São Paulo, onde finalmente pegam uma aeronave para Porto Alegre, desembarcam no Salgado Filho e, de taxi, rumam à fronteira do Uruguai, onde entram a pé e pedem asilo.

   O custo da operação fica entre U$5mil e 8mil Dólares por pessoa, é pago a vista, em espécie e o imigrante fica legalizado no Uy enquanto a burocracia local tramita seu visto de residente, o que pode levar até um ano, em função da quantidade de cubanos que chegam. Foram quase 1.600 em 2017. Existe até uma associação de imigrantes da ilha de Fidel, cuja presidente já ocupa o cargo há 10 anos. A professora de danças caribenhas diz que os protegidos por sua instituição são em torno de 1.500, mas é uma população flutuante: “Uruguai não é destino, mas passagem. A maioria espera pela legalização e segue para os EUA”. 

   Antes que insiram nesta panela, treinamento de militância profissional que estaria por estas bandas preparando atentados para o dia 24/1 quando o TRF4 vai julgar Lula em Porto Alegre, é fundamental lembrar que os cubanos mortos no acidente de trânsito em Santa Vitória do Palmar, a minutos de chegarem à fronteira, vinham num grupo de 8 pessoas. Entre os taxis brancos do aeroporto havia somente um Cobalt que aceita corridas com 4 passageiros, pq não tinha a adaptação para rodar a gás, sobrando mais espaço, especialmente para bagagens. Tratava-se de um carro totalmente sem condições de manutenção e uso para enfrentar os mil quilômetros de viagem por nossas estradas. As outras 4 pessoas, 3 adultos e um bebê -por isso pode ser transportada um quarto passageiro- embarcaram numa Spin. O motorista da caminhonete determinou ao colega do Cobalt que este teria de viajar atrás dele, pois era inexperiente no trajeto. Só que, no extremo sul, a Spin precisou parar no acostamento pq o bebê estava vomitando e foi quando o segundo taxi tocou direto, passando à frente. Depois de resolvido o inconveniente digestivo da criança, a Spin voltou a tocar, até que alcançou o parceiro e, pouco antes de o ultrapassar novamente, aconteceu o choque que vitimou 7 pessoas, incluindo o taxista de Porto Alegre.

   O grande mote para quem prefere acreditar na teoria da conspiração é de que os cubanos sobreviventes, que estavam na Spin não ficaram para socorrer seus companheiros de viagem, em uma nítida atitude de espiões. Na verdade eram clandestinos, com mto dinheiro vivo na bagagem, que não podiam dar explicações às autoridades locais de como ali chegaram sem terem vistos nos passaportes. Além do que, uma pessoa, o representante da organização clandestina de tráfico, os aguardava na fronteira e eles precisavam chegar dentro do horário combinado. Agentes internacionais a serviço do terrorismo NÃO viajam com bebês, a menos que este fosse o “espião que mamava”. Assim sendo, exigiram que o motorista que fora muuuuito bem pago em espécie, tocasse até a fronteira, onde os entregou ao traficante, retornando após para tentar fazer algo pelo colega que ficou no caminho.


   Sim, existe espaço nesta receita para acrescentarmos ingredientes que configuram uma boa Teoria da Conspiração, afinal Lula e Cuba são td a ver, mas parece que eram apenas refugiados, fugindo do inferno, com direito a uma parada no generoso purgatório que lhes oferece o Uruguai, para depois irem em busca do céu e suas famílias, nos EUA. Ou não!

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

David Cassidy, La Migra e Uma Má Ideia


Vida de correspondente de guerra nem sempre é fácil. Situação preteou, cerco apertou e, saída pela esquerda, usando o Plano B, uma passagem comprada no paralelo em Manágua que trazia no bolso para alguma emergência. Corremos de madrugada para o aeroporto de San Salvador, eu e meu repórter fotográfico, ao sabermos do sumiço de 2 outros correspondentes. Ao amanhecer partia o trijato da Lanica, rumo à Cidade do México onde poderíamos relaxar e beber margueritas assistindo partidas de Hay-Alay.

Poderíamos, caso meu ilustre fotógrafo não tivesse a infantil ideia de subtrair um colete salva-vidas inflável que residia sob os bancos dos Boeings de antigamente. Eu só fiquei sabendo do deslize quando já era tarde demais. Estávamos em solo, dentro do aeroporto, onde acontecia um tumulto inimaginável causado pela chegada simultânea do maior fenômeno pop da época, em outro voo. Milhares de mexicanas adolescentes ensandecidas aguardavam aos gritos e prantos por David Cassidy, o cantor loirinho e bonitinho do seriado televisivo Família Dó Ré Mi. Ao passarmos pelo rebuliço causado pelas jovens endemoniadas, chegamos ao balcão de imigração, a não recomendável “La Migra Cucaracha”, onde apontaram para nossas mochilas exigindo ver o que havia dentro delas. Tudo OK com a minha e abriram a do fotógrafo e a primeira coisa a sair lá de dentro é o colete salva-vidas com o timbre da Lanica. O sujeito gordo, de cabelo gosmento, bigode espetado e traje escuro perguntou: “que es esto?” Eu espantado repeti a pergunta e meu ilustre colega se entregou dizendo que subtraiu do avião. Vai sair caro.

Fui obrigado a sair da sala enquanto pensava numa maneira de livrar o amigo daquele enrosco, pois nenhum de nós carregava dinheiro pra aliviar a encrenca. Antes de sair notei que do outro lado da sala havia uma porta para o saguão de saída do aeroporto. De volta ao tumulto assustador, reparo que David Cassidy vem chegando com 2 seguranças que estavam prestes a serem esmagados pelas milhares de tietes loucas pra dar uns pegas no popstar. O olhar transtornado dele e dos guarda-costas era de puro pavor. Pensei rápido e agi de uma vez só para salvar a pele do ídolo e livrar nosso repórter do apuro com “la migra”. Abracei o loirinho, olhei para os seguranças e gritei: “venham comigo; sei de um caminho que vai salvar vocês”. Dei um pé na porta da sala de onde havia sido expulso momentos antes e sob o olhar espantado dos agentes de “la migra” adentrei com o americano de olhos azuis debaixo do braço e aquele dois armários por trás. Gritei aos federais que fechassem a porta e tentassem conter as milhares de fãs enquanto eu salvava nosso ídolo, qual retirei por aquela porta que dava saída para o saguão, evidentemente arrastando meu fotógrafo junto. Ao sairmos, fechei a porta, ordenei aos guarda-costas que não deixassem ninguém passar por ali, conduzi nosso artista a uma cabine telefônica no saguão antes que ele fosse reconhecido e pedi a ele que ligasse para seus contatos e NÃO saísse dali. Peguei o fotógrafo pelo braço e rapamos pra fora do aeroporto, quando pára um taxi a nossa frente e dele sai meu irmão, que me entrega uma chave e diz que havia esquecido de entregar no hostel, para onde eu devia voltar no mesmo taxi e usar a mesma chave de acesso, sem falar que ele havia ido embora, pois perderia o local, onde a fila de espera era grande. No caminho para a liberdade enchi meu prezado de colega de catiripapos corretivos, enquanto o motorista dava risadas. 

Meu irmão hoje vive em Cuba, onde é embaixador. O fotógrafo abandonou os riscos da reportagem e abriu aquele que é hoje um dos mais requisitados estúdios de imagens de São Paulo. E David Cassidy, a quem ajudei a escapar daquela vez, faleceu hoje.

terça-feira, 2 de maio de 2017

28 de Abril de 2017

   Guardem esta data! Assim como o 11 de Setembro de 2001 encerrou o século 20, o 28 de Abril de 2017 sepultou a esquerda brasileira. A partir de agora, quem acreditar num mundo à parte da liberdade e do capital, terá de escolher outra estratégia e abandonar as surradas doutrinas da revolução socialista, pois não mais poderá contar com a era dos sindicatos, que encerrou naquele dia. O Brasil e os brasileiros viram, assistiram, sofreram na pele e concluíram claramente que o acontecido na sexta-feira, onde a CUT e sucursais do sindicalismo pelego existente desde o Estado Novo de Vargas transformaram o país num inferno, estas foram enterradas após trágico velório público presenciado, com ampla cobertura das redes de TV.

   Ao se colocarem frontalmente contra a liberdade de ir e vir e não permitirem o cidadão de escolher se quer, ou não, participar de um movimento paredista decretado unilateralmente; ao bloquearem vias e transportes públicos; ao usarem da violência explícita contra quem tinha mais o que fazer, lideranças sindicais e seus soldados usaram de artifícios dignos das SS nazistas e da genocida milícia bolivariana, que só na última semana assassinou 29 pessoas livres na Venezuela. 

   Alguém escreveu e reproduzo aqui: "a esquerda perdeu. Perdeu a presidência do país. Perdeu o Congresso. Perdeu as principais cidades. Perdeu os principais estados.
E não apenas isso. A esquerda perdeu também o charme. Perdeu o discurso da pureza. Perdeu o encanto entre os mais jovens. Perdeu o monopólio da bondade.
Neste 28/04/2017, no entanto, ela passa por sua maior derrota.
A esquerda perdeu os trabalhadores. Perdeu o povo. Perdeu a grande massa.
Agora, não dá mais pra tapar o sol com a peneira. Se a esquerda quer ser relevante novamente ela precisará rasgar o véu da prepotência que lhe é muito peculiar e abraçar novos compromissos. Antes de qualquer coisa, é preciso assumir os erros. Pedir desculpas aos mais pobres pela década perdida. Questionar modelos autoritários implantados no continente. Abrir mão de bandidos de estimação… Não dá mais pra fingir que todo mundo que não concorda com ela é racista, machista, analfabeto político e tem nojo de pobre. A esquerda perdeu!”

   Vamos ser claros aqui: as reformas propostas pelo atual governo estão em discussão no parlamento e não há NENHUM direito sendo retirado, posto que esta CLT fascista não traz direitos e sim imposições que mais se assemelham ao período escravagista. Os únicos direitos contra os quais os radicais protestaram foram os direitos dos sindicalistas se alimentarem do sangue do trabalhador por meio da contribuição sindical obrigatória. 

   Em 28 de Abril, vimos acintosamente quem NÃO estava ao lado do trabalhador e da maioria dos brasileiros: o sindicalismo pelego e a esquerda que dele se nutre.